
“Atrocidades liberais? Isso é um paradoxo”
Miguel em www.oinsurgente.org
1. “A sociedade transcontinental Walt Disney manda fabricar pijamas e outro vestuário infantil, ornados com o célebre rato, entre outros em sweat-shops (em oficinas de suor) na ilha de Haiti. O presidente-director-geral da sociedade chama-se Michael Eisner (…) Eisner ganha por hora 2783 dólares americanos. Uma operária haitiana que cose pajamas da Disney ganha 28 cêntimos à hora. Para ganhar o equivalente do rendimento horário de Eisner, a operária de Port-au-Prince deveria trabalhar 16, 8 anos sem parar.
Mas Eisner não se contenta com este salário mirífico. No mesmo ano, mete ao bolso igualmente acções no valor de 181 milhões de dólares. Esta soma seria suficiente para manter vivos 19 000 trabalhadores haitianos e respectivas famílias durante catorze anos. As operárias e os operários haitianos da Disney recebem salários escandalosamente baixos, sofrem de malnutrição e vivem na miséria”
2. Marc Rich, cidadão americano, belga e espanhol, é um dos cidadãos mais ricos do planeta. Este multimilionário é um trader, um especulador em matérias-primas de toda a espécie (…) Durante dezassete anos, Rich foi procurado pela justiça americana por uma profusão de delitos que, muitas vezes, implicavam a exploração de pessoas desfavorecidas ou a colaboração com estados terroristas. Em 1983, o tribunal do Southern District de Nova Iorque tinha-o inculpado de racketeering. Durante o apartheid, Rich teria abastecido o regime racista em petróleo, violando quotidianamente o embargo decretado pela comunidade das nações. O regime da Coreia do Norte, o tirano de Belgrado, os mullahs do Teerão – todos sob o embargo internacional – teriam sido abastecidos em bens estratégicos por Rich. Por diversas vezes, a Suíça recusou a extradição pedida pela justiça americana. Milagre.
Outro milagre aconteceu em Janeiro de 2001: três dias antes de deixar a Casa Branca, o presidente Bill Clinton agraciou o predador. A Time Magazine explica: ‘Rich fora perseguido em cinquenta e um negócios que iam da evasão fiscal a práticas de racket (…) A ex-esposa acaba de doar 450 000 dólares à Biblioteca Presidencial do Arcansas”.
3. “Em Marraquexe, os estados dominantes do Norte haviam prometido aos estados do sul a liberalização rápida dos mercados agrícolas. Nada foi feito. Nem em Singapura, nem em Seattle, nem em Doha, nem aquando de qualquer outra Conferência de Comércio. A maior parte dos produtos agrícolas do Sul continua excluída dos mercados ricos do Norte. E os estados do Norte continuam a despejar a sua sobreprodução agrícola para o Sul, mediante subsídios astronómicos para a exportação (…) Um único número: em 2002, os estados da OCDE pagaram aos agricultores 335 000 milhões de dólares sob a forma de subsídios para a produção e a estabilidade dos preços. Como é que o camponês congolês, boliviano ou birmanês se poderia safar nestas condições? É por isso que os países do Terceiro Mundo não têm qualquer hipótese de conseguir que os seus produtos – que não são porém muitas vezes os seus únicos bens de exportação – tenham acesso aos mercados do Norte.”
Jean Zigler, Os novos senhores do Mundo e os seus opositores
Por estas, e por muitas outras, meu caro Palmeira, irei continuar a dizer que o Insurgente, os Dias D’s e as revistas Atlânticos deste mundo são uma grandecíssima MERDA
ASSINADO: Nenuco (se isso deixa alguém mais descansado, Nuno de baptismo e Costa de herança; mas poderia chamar-me João, Jacinto ou José, que era igual para o caso vertente; como irrelevante o facto de ser jornalista, pois se fosse um qualquer Fiel Jardineiro ou assistente de call center, os problemas em discussão não sofreriam alteração na mais pequena vírgula; se algum João ou José, armado em Pacheco Pereira, gostar das regras by the book é melhor lembrar-se que elas já foram escritas e que a nenhum de nós nos foi dado a participar na redacção das mesmas…logo, valem o que valem…e cabe-me o direito de respeitá-las ou não)