O sentido da vida

Sábado, 23 Setembro 2006 (14:46)

“Passar um outro tempo nesse bom tempo de viver”. Há quem escreva com precisão matemática e zelo científico. Outros privilegiam os arroubos da alma, como se estivessem possuídos por uma espécie de inspiração metafísica. Mas há aqueles que estão além das vicissitudes da técnica e do talento. É o caso do cronista Carlos Castro, a quem tomámos emprestada a epígrafe que subtitula este blog. Ele não precisa nem de trabalho árduo nem de qualquer veia artística, pois, como um bom mestre zen, o seu processo criativo consiste em superar a dicotomia das palavras até esvaziar completamente o seu sentido. Ao contrário do que o apelido revolucionário poderia fazer supor, Castro prefere as questões ontológicas (poderá a vida na Lapa ser melhor do que na Quinta da Marinha?; será que, como diz a Lili, estar vivo é o contrário de estar morto?) ao materialismo dialéctico. Felizmente, Castro não é um caso isolado. Como ele, outros perscrutaram os insondáveis mistérios da existência no vórtice demencial das palavras. Aqui ficam três singelos exemplos:

“Vem viver a vida amor/ Que o tempo que passou/
Não volta não”
(José Cid)

“O que é a vida sem Sol?”
(José António Saraiva)

“Quem não vive não sabe o que é a vida”
(Koan de Mestre Nenuco – Palestras e Conferências
Tm – 963702543)

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4 Respostas to “O sentido da vida”

  1. Maître Nenuco… pardonnez moi l’insolence, mais tu t’es oublié du vers icône de José Cid:
    “Fait moi des fèves avec andouille
    mon assiette favorite
    Quand j’arrive maison
    ni crois” !

    Percebeste?

  2. nenuco said

    Je ne comprend rien. Nem sequer sei se escrevi bem a frase que acabei de redigir.

  3. Palmeira said

    Caro Nenuco:

    Custa-me que tenhas deixado passar incólume, apesar de todos os apelos em contrário, o aniversário do teu herói Carlos Castro, no passado dia 5 de Outubro. Urge questionar o porquê de tal atitude negligente perante uma data chave na vida do patrono desta baderna. Ou não foste tu o grande promotor da epigrafe que nos titula? Ou não foste tu a correr com o bloquinho entre as pernas para Dubrovnik, assim que soubeste que o Guru do Social para lá tinha voado em reportagem mana-a-mana?
    Desafio-te pois, mais uma vez, a puxares dos teus galões e assinalares esta data a preceito. Ou, então, como represália, já não levas aquele livro de poemas rosa-cruzes que tanto pediste e – tremei! – haverá mais cachecóis do Benfica queimados, desta feita perto das Janelas Verdes!

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