Dizer bem sem olhar a quem

Terça-feira, 24 Outubro 2006 (10:52)

Fui vilipendiado por um amigo. Na minha própria casa. No meu próprio blog. E pensava eu que tinha em Toni, o Rebelde, um camarada. Um companheiro. Um amigo. Acusou-me de só agora ter escrito o primeiro post “honesto” e “sem atacar ninguém”. Oh, Toni, então não sabes que fizeste a pior crítica que um escritor (mesmo que seja o escriba manhoso de um moleskine de 4 €) pode receber. Honesto? Toninho, por amor de Deus, então não sabes que o poeta (mesmo que seja daqueles rabiscam o moleskine com quadras populares e rimas certinhas) é um fingidor? É como aqueles gajos que vão para a Praia Nova de prancha na mãos e fingem que foram tomar um café quando a onda tem mais de 75 cm. Agora, movido pelo mais cruel desejo de vingança, vou fingir que não me limito a “atacar a alguém”. Mais, vou dizer bem sem olhar a quem. Como tu gostas. Elogios em barda. Aqui vai a primeira lista de saudações laudatórias a figurar na segunda página do meu 77º moleskine:

1. Gosto muito do Adolfo Hitler por ter financiado uma das melhores expedições científicas ao Pólo Norte
2. Gosto muito do Oliveira Salazar por ter criado a FNAT, actual INATEL
3. Gosto muito do Charles Manson por ter dado uma mãozinha nas letras dos Beach Boys
4. Gosto muito do Jack, o Estripador por ter inspirado bons policiais
5. Gosto muito de Gentleman porque cada vez que toca em Sagres ou na Ericeira o Bairro Alto fica mais vazio

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13 Respostas to “Dizer bem sem olhar a quem”

  1. Toni Rebel said

    Meu Caro Amigo Nenuco,

    A minha critica, se é que me é possivel fazê-la (o Oliveira Salazar não deixava por exemplo…), advém da minha longa luta contra os vários posts (daqueles com quem eu me importo, se me permites…) que são sempre negativos, que investem toda a energia e adrenalina com critica fácil contra tudo e todos, lembrando-me a ingénua sra. que com o porta-moedas de baixo do braço foi á praça e quando é entrevistada limita-se a dizer que é tudo uma cambada de ladrões, uma cambada de gatunos e uma cambada de chupistas…sem se sequer perceber o porquê.
    Considerando o Nenuquinho entre outros, num patamar de esclarecimento bastante diferente destas Sras (que comem o que lhes dão), baralha-me que não façam nada, que não mostrem a diferença através de projectos em que acreditem e que mostrem que realmente querem mudar as coisas (a vossa vida) e aí sim tornarem-se em verdadeiros pioneiros (não do bairro alto)e deixar a sua marca e o seu registo.
    “…Elogios em barda…) Gosto da tua escrita (excepto do género que estamos a falar); gosto dos poemas que o Mariachi escreve (os da autoria dele, não sei se são bons,gosto); gosto da verticalidade/coerencia do palmêra;gsot de muitas outras coisa k não vêm mencionadas neste blog…perdão word press, elite blog (só entra com moleskine… ;))!

    Para que conste:
    -CV- Técnico de Marketing
    -Profissão actual (plantar batatas)
    -Carro acima do €15 000
    -Prancha sempre de baixo do braço (e dos pés), sempre que possivel (até na costa,;) )
    -Inatel- (os meus pais de quando em vez frequentam)
    – Também fui ver ( o que resta) beachboys
    – Gentleman fui aos 2 (Ericeira e Azambujeira (sudoeste) em sagres foi Patrice
    – Bairro alto, sp que me apetece, com +/- gente, desde que bem acompanhado.

    Um Abraço

    Toni Rebel (Registed trademark)

    ;P

  2. Meu caro Nenuquinho do meu coração… analiza todos os comments do Toní Rebêlo em todos os blogues que ele visita e vê quando é que ele NÃO escreveu coisas no mesmo registo de que te acusa!

    O Toni Rebel é feio!

    Bad Toni!

    Sheimóniú!

  3. nenuco said

    Fico honrado pelo gabarito, dimensão e honestidade do comment (com um comentário deste tamanho, o blog até vai parecer que é uma coisa importante), amigo Toni.
    Quanto a projectos que “façam a diferença”, penso que é uma questão de perspectiva: eu acredito na crítica (fácil ou difícil, tem sempre um papel importante no despertar das consciências) no combate (não no ataque, como lhe chamas), na ilusão do contra-poder (que é outra forma de poder) ou, como dizia o Jorge Palma, “Eu hei-de estar sempre do outro lado da luta”.
    Ao contrário de ti, acredito que destruir também pode ser uma forma de construir. Acredito na ironia, na desfaçatez, no humor, no non-sense, na chacota e até na piadola de café, mesmo que fácil e brejeira, como formas válidas e úteis de (re)pensar a realidade e “projectar a diferença”. É por isso que nos alvos das minhas críticas, fáceis, me incluo a mim também. Para me tentar reconstruir a partir da minha auto-destruição. Talvez não tenha sido bem explícito e, por isso, me irei socorrer de um dos meus autores preferidos para explicar o meu ponto de vista:

    “Um homem comum não seria livre. Porque não saberia como ocupar o seu tempo, a não ser nalguma coisa que lhe fosse imposta por outras pessoas. Actualmente, ninguém sabe divertir-se por si; todos deixam que os outros o façam por eles. Engolem o que lhes é oferecido. E têm que engolir, gostem ou não. Cinemas, jornais, revistas, gramofones (favor substituir por HI FI e IPod’s) partidas de futebol, telefonias sem fios – fora disso não há diversão. O homem comum não pode dispensar essas coisas. Aceita-as. E isso que é senão escravidão?”

    in Aldoux Huxley, Geração Perdida

    E é por isso que vou continuar a preferir sempre as piadas, às vezes fáceis, dos Aldous Huxleys deste mundo do que os “projectos que fazem a diferença”.

  4. CoxaLouca said

    olha lá, nenuco, estás a vilipendiar o comment to Toni???

  5. nenuco said

    Para mim, não há cá filhos nem enteados, somos todos iguais. Todos temos o direito de ser vilipendiados na mesma proporção. Por isso, vilipendio-me a mim, ao Toni, a ti e a quem for preciso. No entanto, para responder à tua pergunta: não, não estou.

  6. nenuco said

    PS. A referência aos Beach Boys foi “semi-honesta”, pois é uma das minhas bandas favoritas

  7. Beach Boys???

    “Não posso”, “É verdade”, “Não posso”, Estou-lhe a dizer”!

    Estás mesmo a pedir uma bela vilipendiaçãozita, pá!

  8. nenuco said

    Gosto de Beach Boys, Mamas and Papas e Byrds. Como vez, Toni, podíamos ter ido ao concerto dos velhos juntos

  9. Papas nas Mamas nas Pretas Grandes????

    uow

    espevitadinho….

  10. Toni Rebel said

    Elementar meu caro Mariachi,

    Eu também tenho as minhas crenças, logo as teorias se quando se repetem ( e existem posts dentro daquela linha), faço a minha repetida observação…tal como a questão do que é moda não presta, só antes de ser moda, é que era bom, agora que está na moda, não quero e não gosto…;Penfim, tudo isto Faz-me lembrar os jornais desportivos, quando surgem são os máióres, de repente tornam-se paraliticos… tão fácil não é???
    Manda Vir :)

    Nenucão,

    Existe aquela teoria da Agenda Setting Function, que defende a realidade que existe/conhecemos é-nos dada pelos Media. Do Público ao 24 horas, da Al jazeera á CNN, enfim é o que temos…Cá para mim chega-me o borda d´água, é a minha realidade.
    Portanto ou penso por mim ou ajudado por alguém que me ilumine , que me faça olhar para a frente e não para trás e para o lado, aí sim, temos muito humor e se quisermos, vamos por aí!! I like it, very much in did!!!

    Podemos tentar de outra forma…, mostras o caminho , sem dar exemplos negativos, mostras soluções, propostas e moves as pessoas para a dita revoluçãoção…sem enviezar, sem fazer comparações? Tipo começar do Starting point!
    Vai um benchmarking??

    Toni Rebel (all rights reserved)

  11. nenuco said

    Não sei o que é um benchmarking nem a Agenda Setting Function e comigo nem vale a pena fazeres humor em inglês. Quanto a andar para a frente e para o lado, eu não sei o que isso é. O Hitler e o Lenine achavam que estavam a andar para a frente e andaram para trás. O Sócrates acha que está a andar para a frente e anda para o lado. Por isso eu defendo teorias ascensionais, nem para a frente, nem para o lado, nem para trás. (o problema é que tu não concordas comigo nas minhas teses ascensionais e aí não posso fazer nada)

  12. Estás a ver? Se eu fosse pelas modas, tinha lido o Equador, só para dois anos mais tarde perceber que afinal podia ter lido o livro de outro autor!

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