A REVOLUÇÃO – PARTE I

Sexta-feira, 27 Outubro 2006 (18:24)

Após tanto debate, calórico em ideias, gostava de aduzir uma proposta de reconciliação das partes. Após me sujeitar a dias e dias de silêncio, em que, na sombra, segui prudentemente a proliferação de posts e coments, admito, com relutância é verdade, que podemos estar à beira de uma revolução colectiva capaz de reformar os destinos perdidos da Humanidade, da qual passo a destacar algumas especificidades:

– É aniquiladora – bora lá implodir nuns edifícios, a começar pela merda das multinacionais, símbolos supremos de um capitalismo castrador, mas sem esquecer os ícones de uma cultura massificada e estupidificante, como o Diogo Amaral, que furta ao homem a sua real dimensão criativa e que origina o risco de, uma vez concretizada a revolução, esse mesmo homem se limitar a passar o tempo todo a ruminar em frente ao ecrã de televisão, coçando os tomates e comendo tremoços, e cujo plano de acção passa por irmos para a Praça das Flores queimar o cartão de contribuinte em vez de cachecóis de futebol, porque afinal o ser humano, como animal que é, precisa de escape para as suas emoções mais negativas e isto de viver sem o Benfica-Porto é para os labregos intelectuais e barbudos do DocLisboa (Nenuco).

– Rastafari – estamos aqui não apenas para dizer mal, não senhora, que isso é demasiado fácil, pois é, os portugueses queixam-se, queixam-se, mas apresentar propostas é que não (passa aí o filtro, se faz favor), não senhor, querem a papinha toda feita, porque temos é de ter ideias e isso é muito complicado (dá-me o isqueiro) e então andam para aí a dizer que são revolucionários, quando no fundo isto é muito simples, chega-nos o mar (coff, coff, isto ficou mesmo fixe), uma prancha e o mundo é nosso, isto se não tivermos uma data de barbudos paneleiros a roubarem-nos as gajas (Toni Rebel).

– Vegan: se é para libertar o homem, então vamos deixar os animais crescerem livres nos prados, à parte uma licença especial emitida pelo comité revolucionário que concede alvará para que as febras, entrecosto e mioleira continuem a ser servidas no Alves, que será poupado durante o movimento, pelo que se preconiza que este pasquim venha a desempenhar o mesmo papel que a Brasileira no movimento do Orpheu (principio que parece reunir o desejo da maioria).

– Lusófona: vamos trazer de volta a gloriosa canela do Oriente, na voz genuína de Janita (que o irmão dele é um porco que traiu as raízes do povo português) e de preferência com o Agostinho da Silva a assumir o papel de líder espiritual, maravilha das maravilhas cuja concretização, porém, é impossibilitada pelo facto da comunicação social ter passado a ideia que ele já estava inapto para qualquer cargo de chefia porque estava morto, pelo que, provavelmente, temos de ficar com o Carlos Paredes, bolas esse também está morto, resta-nos então com o Hermano José Saraiva a dirigir os destinos deste povo grandioso que perdeu o Quinto Império quando os ingleses decidiram introduzir o tweed na alma lusa e os franceses decepar Camões em nome do existencialismo. E que se fodam as guitarradas! (El Mariachi)

– Fashion: todos os revolucionários terão de trajar sapatos Alexander MacQueen, óculos escuros Prada, casacos animal print e leggings Calzedonia e seriam assinantes da Vogue (Espalha Brasas).

Nota: Isto tudo enquanto a Bambi observa, com uns binóculos Miss Sixty e um copo de licor Beirão (quem disse que o Walt Disney não reconhece a cultura lusa?) os movimentos do campo de batalha, consciente que tomar partido é reduzir as potencialidades que o mundo coloca ao seu dispor para se divertir com a inconstância humana , e o Palmeira perscruta velhos anúncios de jornais que preconizem já como a revolução se deve apenas a um problema de excesso de pilosidade de alguns espécimes masculinos.

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6 Respostas to “A REVOLUÇÃO – PARTE I”

  1. Bambi said

    LOL. MUITO BOM!

    ps – agora que consegui ler, sem interferências no cérebro, tenho que te dizer, five stars, que está lindo! lol

  2. Espalha Brasas said

    Ena, finalmente deste início ao teu best-seller à la Código Da Vinci! Muito bom! Gostei, muda apenas o meu casaco animal print, please, destesto essas tigresas e afins. Beijussssss!!!

  3. Palmeira said

    Valeu a pena esperar. Cinco Estrelas!

  4. Nenuco said

    Acham que posso fazer elogios ou vai parecer mal?

  5. Bambi said

    Podes fazer elogios, podes!

  6. Toni Rebel said

    Nenucão,

    Se não pedes autorização para criticar(não parece mal…??), porque pedes para fazer Elogios??

    Faz-te espécie???

    Elogia e inspira-te!

    ;)

    Abraço

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