um pionés na cadeira dos convidados

Quarta-feira, 15 Novembro 2006 (17:40)

Meus caros Banhadas e Nenuco,

Vocês deviam ter vergonha. E muita. A brejeirada ressabiada nunca levou ninguém a lado nenhum (de jeito). 

Duas das vossas últimas criações textuais [mais esta do que esta] conduziram-me finalmente à reversão da revolta que alimentei para com certas opiniões, relativas ao anonimato na blogosfera, de José Pacheco Pereira, Rita Ferro Rodrigues, Miguel Sousa Tavares, Tiago Torres da Silva, José Manuel Fernandes… e por aí fora.

Concordo agora que o insulto fácil anónimo só serve a vaidade verbal do seu enunciador: não cria debate público, troca de ideias, reacção dos visados – regra geral pessoas que dão a cara pelas suas opiniões polémicas – ou possibilita a construção de outras críticas, fundamentadas nos raciocínios enunciados. Pelo contrário, queima publicamente quem os lança, ainda que seja um anónimo. Não divulga dados irrefutáveis, e os dados desconhecidos que aflora ficam escondidos atrás da assumpção octaviana «vocês sabem do que eu estou a falar».

O George foi a tribunal por causa da Marca: valente! O Cláudio Ramos assina um blog à imagem de si próprio, recebe um festival de comentários anónimos de Xoxotinhas e Zorzes e continua em frente: valente! 

Banhadas: queres divulgar o escândalo que é a gestão da Simonetta no Instituto Camões? Fá-lo! Conta, mostra, explica, cita, divulga e abaixo-assina. Agora gritares PUTA dessa forma ressabiadíssima e teres o impudor gravíssimo de falar em violação tão gratuitamente? Tu tens ideia daquilo que estás a dizer? Tu tens ideia de todo o insuportável sofrimento que a tua verborreia ao vento atropela? Ou também achas que “elas estão a pedi-las porque se vestem daquela maneira”?

Onde ficam exactamente posicionados o Quinto Império, o Universalismo Lusíada, o Padre António Vieira e o Professor Agostinho da Silva no meio desse teu ataque ao acordo ortográfico?

Há tempos esteve no teu blog um anónimo que se apresentou como caçador de talentos atento ao teu desenvolvimento. Caíu no erro de polemizar e acabou espantado por uma chusma de alusões à sua sexualidade. Provavelmente não voltou. Fosse ele real ou não, usou argumentos pensados e levou com umas suspeitas (de impotência) na cabeça. Que bem! Remeter uma discussão para argumentos de cariz sexual apontados ao interlocutor é o maior baixo-nível que se pode ter em público! Ai eu não escrevo bem? Tu levas no cu! Eu sou maldizente? Tu não tens vida sexual! O que é isto, amigos?

O mesmo vale para ti, Nenuco: não conseguem pô-lo de pé? O que é isso, man? Ah, não querias dizer isso? Não o escrevesses de forma dúbia. Se está lá a forma dúbia, é porque dúbio quiseste o seu significado, se não o quisesses tinha-lo tirado, é muito simples. Nenhuma justificação posterior vale para isso. «Abrupta elevação intelectual»? Isso, sim, tem graça. Isso e muitas outras “tiradas” brilhantes que produzes ao longo de um texto manchado por apenas uma frase. O Pacheco Pereira destrui toda uma equipa de investigação validada cientificamente com um artigo de jornal? De quem é a culpa? Do Pacheco Pereira e da sua ignorância sobre o tema ou de quem voltou atrás com a palavra valendo-se desse artigo?

É injusto pôr-vos aos dois, Banhadas e Nenuco, no mesmo saco? O princípio é o mesmo. Uma discussão intelectual não se sustentará nunca em argumentos brejeiros, e uma discussão brejeira, mesmo de mau gosto, só se sustenta com muita graça (vide Pipi, Maradona, etc.).

Tivessem feito o que fizeram com o vosso nome por baixo e fotografia no profile e eu estaria agora a aplaudi-los de pé. Porque as vossas queixas são válidas, e muito. Mas a razão e o respeito perdem-se de todo quando se baixa a fasquia do bom senso.

Assina este vosso amigo,

Sertório

myecran

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Uma resposta to “um pionés na cadeira dos convidados”

  1. […] Para quem se interessa por estas coisas que dão azia, está aqui (mais) um excelente exemplo de como uma discussão perde toda a sua validade quando se recorre aos “tais” argumentos. Clique abaixo para assistir a uma deplorável lavagem de roupa suja em público: […]

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