O conselheiro de Bush

Quinta-feira, 11 Janeiro 2007 (15:17)

gen_loureiro_dos_santos.jpg
Washigton, EUA

Foi num ambiente de aturadas discussões geoestratégicas que George Bush e Condoleeza Rice abordaram os contornos da nova estratégia militar para o Iraque. Após um caloroso debate de ideias sobre as mais modernas metodologias de guerra, Bush decidiu auscultar um dos maiores especialistas mundiais.

RICE – Sr Presidente, o número de baixas continua a aumentar vertiginosamente e temos de rever urgentemente a estratégia para o Iraque.

BUSH – Tem razão, Condee, mas já pensei em tudo.

RICE – Ah, sim?

BUSH – Vamos mandar mais 5 mil homens para lá.

RICE – Sr Presidente, estava a pensar numa estratégia…como hei-de dizer…um pouco mais concertada, com maior visão dos problemas.

BUSH – Ai, Condee, se não fosse você, não sei o que seria de mim? É isso mesmo. Vamos mandar 10 mil homens.

RICE – Sr Presidente, acho que não está a perceber…Estava a pensar em algo mais cirúrgico…

BUSH – Você é mesmo uma velha raposa. Já percebi onde quer chegar. Vamos mandar 15 mil homens.

RICE (depois de estripar um boneco de borracha anti-stress, respira fundo)
– Sr Presidente, não era bem isso…

BUSH – Pronto, pronto. 15 mil homens e os novos mísseis de contaminação D7H.

RICE (já de punhos cerrados) – Sr Presidente, esses mísseis ainda estão a ser testados. E, alem disso, não me parece que o número de homens seja a solução ideal.

BUSH – Condee, deixe-me ouvir uma segunda opinião. Contratei um novo especialista internacional que nos pode ajudar.

(Rice, já num dos parapeitos da Casa Branca, pensa pela primeira vez em cometer suicídio)

Campo de paintball de Mem Martins, Portugal

As tropas sob o comando do General Loureiro dos Santos acabam de derrotar o sanguinário e terrível exército inimigo, composto por dois bisnetos (que se fazem transportar em dois blindados de bebé), quatro netos (de 5, 6, 7 e 9 anos respectivamente), e três sobrinhos tetraplégicos (perigosamente imóveis numa vala de combate). Quando se prepara para comemorar a vitória, o General atende uma chamada de código vermelho:

BUSH (aproveita para pôr em prática o seu brasileiro) – Generau, como está ocê?

GENERAL LOUREIRO DOS SANTOS – Ó, quanta honra, Sr Presidente… (o general não consegue suster uma breve incontinência urinária). A que devo o prazer do seu telefonema?

BUSH (consulta o manual de conversação para viagens ao Rio de Janeiro) – Tá tudo em cima, cara. Tenho aqui um lance e preciso de bater um papinho com ocê. Acha que é sacanagem mandá 15 miu homes pró Iraki?

GENERAL LOUREIRO DOS SANTOS – Sr Presidente, permita-me que lhe dê a minha opinião. Segundo os meus cálculos, o Sr Presidente precisa, pelo menos, de mais 20 mil heróicos militares para acabar com a guerra de vez.

BUSH (consulta de novo o manual de conversação) – Holy Shit. What did he say? Vin, Vinde, Vit

GENERAL LOUREIRO DOS SANTOS – Twenty, Mr President. Twenty thousand..

BUSH – Nice, twenty thousand.
(consulta pela última vez o manual de conversação em brasileiro.
Ocê é brabo memo, cara. Tamo aí, garoto. Tchauzão pra ocê.

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3 Respostas to “O conselheiro de Bush”

  1. Jorge Blawney said

    “Ocê” é sotaque caipira no Brasil, só simplórios do interior falam assim. Onde o senhor aprendeu esse seu “brasileiro”, nas novelas?

  2. nenuco said

    Não é meu, é o do outro Jorge, ou George (peço desculpa pela imperfeição). Se é sotaque caipira parece-me lindamente para alguém que passa metade do ano num rancho do Texas.

  3. nenuco said

    Ah, já me esquecia: obrigado pela visita, Sr Claudio Tellez.

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