Um conto americano

Domingo, 14 Janeiro 2007 (13:13)

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I

Ray Manzarek pede desculpa, em nome dos americanos, pela existência de George Bush. Krieger introduz as primeiras notas de Star Spangled Banner e Manzarek dedica o Hino ao presidente americano. O Verdadeiro.

Five To One

Five to one, baby, one in five
no one here gets out alive,
now you get yours, baby,
I’ ll get mine,
Gonna make it, baby, if we try

The old get old and the young get stronger,
may take a week and it may take longer,
they got the guns but we got the numbers
Gonna win, yeah, we’re takin’over, come on!

Your ballroom days are over, baby, night is drawing near,
Shadows of the evening grow across the year.
You walk across the floor with a flower in your hand,
Trying to tell me no one understands,
Trading your house for a handful of dimes.
Gonna make it, baby, in our prime,
get together one more time,
get together one more time,
get together one more time,
get together one more time

Celebração pura. Do Roadhouse Blues da abertura ao Soul Kitchen do “I’d really like to stay here all night”. Também nós. Da primeira fila aos camarotes, dança-se sobre o fogo sagrado. Mr Mojo ressuscita.

“We want the world and we want it…

“We want the world and we want it… NOW!”

Não há Jim? Como não? A ausência física não apaga a omnipresença do Rei Lagarto. Todos sabem isso.

Obrigado, Jim.
Obrigado Ray, Robbie e John.
Obrigado, Ian, pela dedicação.

II

Muitos whisky bares depois, canta-se o Alabama Song no Chiado. Olho para o lado e vejo Paula Bobone e o seu marido diplomata/empresário/artista plástico/ alzheimeriano. Bingo. Não podia haver melhor figura para encarnar a ópera kitsch de Kurt Weil. As gargalhadas burlescas ecoam pelo Camões. A mulher não perde a compostura. Só que ela não sabe da existência de Yod’Ana, que se abeira do boneco:

“Sabe, você representa tudo aquilo que nós mais odiamos”

Bobone esboça um sorriso amarelo e tenta preservar a personagem. “Eu convivo bem com isso”. Mais um sorriso e acena a despedir-se. The old get old, definitivamente.

III

Baratux. Ou será Baratex? Bem, não fica longe do Fufex. Não sei muito bem como, chegamos à conversa com um grupo de americanos. Tentamos convencê-los a experimentar a caipirinha. Não me lembro se fomos bem sucedidos. Os copos passam de mão em mão e tanto me faz o que vai lá para dentro. Mas lembro-me que estão de férias, são classe media típica americana e trabalham num aeroporto.

E, acima de tudo, lembro-me de pedirem desculpa por existir George Bush.

“É sempre a mesma coisa, estivemos na Coreia, na Alemanha, em Itália, em Espanha e acabamos sempre a pedir desculpa”. Não tens de pedir, amigo, afinal, já vos basta terem de levar com ele.

Afinal, como raio é que aquele cabrão ganhou as eleições?

IV

Incógnito. Pela primeira vez na minha vida, a menina da porta pede-me 10 dólares para entrar. 10 euros que soaram a 10 dólares. A “culpa” é dos americanos que estão connosco. Ou da chico-espertice da miúda. Baby, mas normalmente são só 5 euros. “É só um bocadinho”. Ela regressa e diz “então, está bem, são 5 euros”.

O Incógnito parece o Coliseu. Não cabe nem mais uma formiga. Quanto mais os americanos, que até são de bom alimento. Entramos todos.

Os americas estão doidos.
“Beautiful women”, “great girls”, “kindly person”, “you have a great country”.

I don’t know about that. Mas gosto desta América. Mesmo muito.

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15 Respostas to “Um conto americano”

  1. Espalha Brasas said

    Conversa possível com o Jo, um desses americans com cara de chinoca, que depois de ter a certeza que eu era portuguesa, insiste em falar comigo em espanhol.
    “I don’t understand what you’re saying. I rather speak in english.”
    “Oh, ok, Adriana”
    “No, it’s Andrea”
    “Yeah” – segundos depois ele insiste em chamar-me Adriana
    “Where are you from?”
    “California, yeah” e balbuceia alguma coisa em espanhol
    “I didn’t understand a word… How long are you been here in Portugal?”
    “Today and tomorrow”
    “No, I’m asking when did you arrive in Portugal, a week, a few days ago?”
    “Today and tomorrow” – acho que é da tequilla.
    “Ok… So, what do you think about Beckham’s going to Los Angeles?”
    “I don’t know” – e fica parvo a olhar para mim naquela do “não sei de que merda é que estás a falar”
    “Bye Jo, have a nice trip back to California”

    Mesmo anti-bush e até buddys dos copos, eram sticky and dumb guys. Although armless.

  2. nenuco said

    Então, Espalha, o que conta é o interior das pessoas…Além disso, os gajos fartaram-se de nos pagar shots de tequilha.

  3. Espalha Brasas said

    De “nos”, não, que eu cá não quero nada com o álcool.
    Os gajos eram porreiros, a sério. Eu é que, como estava sóbria, não estava com paciência para aturar americanos bêbedos. São chatos. Será que quando estou com os copos também sou assim chata?

  4. Nenuco said

    Não, porque normalmente ficas a soro fisiológico e a litradas de oxigénio.

  5. Espalha Brasas said

    LLLLLLLLOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLL!

  6. Palmeira said

    «Hello, Gibraltar!»
    Concordo com a Adriana num ponto: não temos que aturar um chato! Se ele não tem braços isso é lá problema dele.

  7. Palmeira said

    Nós os 4 aqui no blague vamos fazer uma excursão a Espanha comunicando com os indígenas exclusivamente em inglês: anda com a gente que vai ser muito divertido!

  8. Espalha Brasas said

    Bora nessa, galera!

  9. nenuco said

    Eu cá vou falar em espanhol. Eles entendem-me sempre.

  10. nenuco said

    Então, Palmeira se um chato não tem bracinhos isso é um problema dele?

  11. Mas que maldade, considerar um homem sem braços é sp um problema comum.

    Quem o coça, quem o veste, e nos dias em que ele tb não pode conduzir – quem lhe esboça o manguito por ele…

    Porra!! isto é um problema comum! A pátria depende daqueles braços, nem que seja para fazer um duplo manguito ao sabujo do Opus macedo que julga que os Impostos são uma coutada de caça grossa

    Web

  12. nenuco said

    É verdade. Precisamos de braços para fazer um duplo das caldas ao bispo Macedo.

  13. Gaivota said

    Mas o problema não foi a tequilla, mas sim tudo o que se engoliu antes e à medida que se subia para o Chiado e se descia o Combro a montanha russa adensava-se! Acabei a noite com o ego insuflado e a pensar porque é que os homens portugueses são tão parcos em elogios? :)
    Afinal há dias em que basta um: you are beautiful para agradar a uma miúda! Ou será que é da lingua inglesa? Bem, acho que afinal foi mesmo da tequilla! :)

  14. nenuco said

    Parece que os americanos gostaram da amiga gaivota…

  15. Gaivotas em terra, AmAricanos no mar!

    Torpedo neles, carago…

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