Bye, bye, Floramerican pie

Sexta-feira, 19 Janeiro 2007 (00:34)

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Em exclusivo para Portugal, Angola, Moçambique, Timor e comunidade lusófona de Newark, o Muito Barulho publica aqui a carta que o deputado Nuno Melo endereçou a Paulo Portas na véspera da sua demissão do cargo de líder da bancada parlamentar do PP.

“Caro Paulo,

Eu sei que te prometi lealdade e tu confiaste em mim para aguentar as tropas até ao teu glorioso regresso como grande Salvador da Pátria. Só que é preciso ter uma paciência de Irmã Lúcia para suportar o gordo seboso do Ribeiro e Castro (que ainda por cima é lampião e como bom lampião está habituado aos favores e cunhas do sistema). Estou que já não posso. Deponho as armas e as divisas e vou desertar deste terreno minado em que me deixaste atolar.
A sério, Paulo, o bucha não dá uma para a caixa e qualquer dia o nosso partido é ultrapassado nas sondagens pelos maoístas do MRPP. Desde os tempos do Manuel Monteiro que não via personalidade tão asina à frente da nossa democrática força política. Gordo por gordo mais valia o Freitas que, apesar de andar armado em Michael Moore, não adormece a Assembleia cada vez que decide abrir a matraca (até o Bola Sete e o Paulo China, antes da operação, faziam melhor figura do que este bisonte acéfalo). E, se o objectivo era pôr à frente do partido um fantoche a fazer figura de corpo presente, mais valia termos lá metido o Adriano Moreira ou o Basílio Horta, que ninguém dava por eles na mesma, mas ao menos não nos enterravam durante o teu período de exílio.
Paulo, não dá para mesmo para segurar as pontas. O PS e o PSD parecem siameses a fabricar debaixo da mesa pactos de regime e o gordo não levanta o cu da cadeira. O PS atira-se ao bolso das contas em Bolsa dos bancos e o boi não mexe uma pata. E, agora, para cúmulo, a amiguinha do Bin Laden anda a desenterrar as provas que te incriminam nos voos da CIA para Guntánamo e o pançudo nem ai nem ui. E tu vais ver que isto ainda vai sobrar para nós. O Amado está quase a dar o badagaio, que qualquer dia vai desta para melhor com um novo AVC, e nós é que ficamos a pagar as facturas dos aviões dos americanos.
Olha, se é para aturar este labrego, prefiro voltar para Famalicão, que os de lá são tão labregos como este, mas ao menos não são uns empata fodas. Tenho lá a minha quinta, os talhos e os salpicões da família até se estão a vender bem, graças a Deus, e ainda para lá tenho uns escritórios de advogados com dirigentes desportivos à pinha para ver se salvam o couro no Apito Dourado. Por isso, ou regressas já ou vou fazer-me à estrada (se não pensas voltar, avisa-me só com antecedência que é para se arranjar alguém capaz para tomar as rédeas do partido, sei lá, assim alguém inteligente e pró-activo como eu). Termino esta missiva com um poema do André Sardet que muita companhia me tem feito por estes dias:

“Se ainda me queres
Eu estarei aqui
E tudo o que fores eu serei assim
Se ainda me queres…
não será o fim”

O teu Florimelo
Largo do Caldas, 16 de Janeiro de 2007

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Ilustração retirada de imagensdokaos.blogspot.com

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5 Respostas to “Bye, bye, Floramerican pie”

  1. Duarte said

    Se o que se está a passar nesse Partido acontecesse num outro que eu conheço, não faltariam páginas e páginas de jornais, o anúncio da morte desse partido, acusações de autoritarismo e dogmatismo, etc., etc.
    Como tudo isso é o PP ou no CDS ou, ainda, no CDS-PP, não há grandes ondas.
    O único problema é que o patrão assim já não sabe se investe nesse subproduto da política nacional que é o CDS, o PP ou o CDS-PP.

  2. Vertigo said

    É incrivel como estes mamões representam 3 ou 4% do eleitorado (pelo menos do que dá a cara/voto) e se acham tão importantes…
    Mas era tão bom que o Ribeiro e Castro ficasse lá mais uns aninhos… com um pouco de sorte ainda se extinguia o partido. ;-)

    Corja!

  3. nenuco said

    Isso não vai acontecer porque os tipos têm que rodar: saltam de um conselho de adminsitração de uma multinacional para a assembleia, da assembleia para um instituto público e do instituto público regressam ao conselho de administração de outra empresa. É assim a lógica da democracia representativa.

  4. É verdade eles saltam assim no seio das Administrações púbicas e privadas, eles até saltam uns para cima dos outros…

    Já agora, será que este ano a feira do livro tb se realiza no Parque Eduardo VII…

    Web

  5. nenuco said

    Não sei, mas parece que há alguém do PP que se costuma realizar no Parque Eduardo VII.

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