Atão, miga

Quarta-feira, 7 Fevereiro 2007 (13:42)

Não sou de me irritar facilmente. E há até quem diga que tenho paciência de santo (a minha mãe e o meu afilhado surdo-mudo). Excepto, claro, quando vejo o Katsouranis a acertar mais facilmente num poste de 10 centímetros do que numa baliza de sete metros. E ninguém me pode censurar por desesperar com um grego que decidiu confundir as regras de um desporto universal com uma qualquer versão helénica e amaricada do chinquilho, ainda por cima na mesma jornada em que, em Alvalade, o mais caricato artista da bola vivo decidiu fingir que tinha talento sul-americano nos pés (a única semelhança de Bueno com Maradona só mesmo o corte de cabelo).
Bom, este intróito serve apenas para reforçar que, futebol, política, religião, economia, bricolage, playsation e gajas à parte, são poucos os assuntos e as situações que conseguem verdadeiramente tirar-me do sério. No entanto, apesar dos meus níveis de tolerância serem, mais coisa menos coisa, praticamente semelhantes às do Mestre Gandhi – antes deste decidir partilhar o mesmo leito com a sobrinha de 13 anos – não consigo mesmo ir à bola com pessoas que usam e abusam até ao enjoo – se fosse mulher, chegaria a pensar que estava grávida – de expressões como “Como Sabe”, “Atão, Miga” ou “Daa”, entre outras que de momento não me recordo, mas que tenho a certeza de serem absolutamente irritantes. A sério, gostava que alguém me explicasse porque é existem idiotas que, a meio de uma prédica sobre o sultanato de Hussein III no Turquistão, decidem interpelar-nos com um “Como sabe, a revolta dos hussitas inverteu a situação…”. Claro que não sei, tal como o anormal também não saberia responder se eu me virasse para ele com o paleio de “como sabe, a equação Wheeler-DeWitt determina h, f, s ao cubo para os valores tridimensionais”.
Igualmente irritantes são os gajos que acabaram de conhecer uma operadora de call-center e só porque a querem comer se põe com aquele cuspo melado do “Atão, Miga, tá tudo bem?”. O que eles querem dizer na verdade é “Foda-se, a que horas é que sais que desde que te vi com esse top ando com uma tusa que já não me aguento”. O “Atão, Miga” é somente o lubrificante que aquelas patas-chocas engolem a seco a julgar que já arranjaram homem para subir ao altar. Até que um dia os gajos ligam a dizer” É pá, miga, hoje não vai dar, que tenho cá os meus primos de França. Depois eu telefono-te, miga”. Daa.

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7 Respostas to “Atão, miga”

  1. Espalha Brasas said

    Atão, não te posso chamar de migo? E quando me chamam “miga”, é porque me querem comer? Como sabes, tenho algumas pessoas que me chama de miga, e eu também chamo alguns de migo e miga.

    (queria incluir aqui o Daa, mas não consegui arranjar maneira)

  2. ozcz said

    O “como sabe” é uma expressão verdadeiramente infeliz, mas por que raio devo eu ficar chateado por outra pessoa a utilizar? Chateado ficava se a utilizasse eu.

  3. Espalha Brasas said

    Estás feito, nenuco. Depois disto, já sabes o que te espera…

  4. Gaivota said

    Bem, este post está um must! Estás a ficar refinado, migo :)
    Pensando bem há aqui um tipo que me chama “miga”, nunca tinha pensado nisso nesses termos… estou a ficar dum… daaa :)
    Obrigada pela epifânia! lol
    Esta coisa de andares a observar o mundo está a tornar-se bizarra, mas muito divertida! Dou comigo a pensar nestas coisas tantas vezes… e é mesmo giro vê-las aqui escritas…. ou escarrapachadas … lol. Beijos

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