Dever cívico

Terça-feira, 13 Fevereiro 2007 (21:47)

Anda lá, mulher. Despacha-te, que eu quero ser o primeiro a chegar à mesa de voto. Já engomaste o casaco e a gravata da missa? Não dizes nada? Ah que merda, com tantas mulheres na aldeia fui logo casar-me com a gorda e surda da Alzira. O que um tipo tinha que fazer no meu tempo! Só porque era cheinha e de formas roliças, caí na asneira de lhe pedir a mão em casamento. Se fosse agora, fazia como estes miúdos novos, levava-a ao cinema, dava-lhe uma valente trancada e depois nunca mais me punha a vista em cima. Só que no meu tempo, não havia cinema e um gajo, para não dar em doido, ou ia às putas ou tinha de casar com uma daquelas pacóvias para poder dar uso ao instrumento. Quer dizer, lá por um gajo casar não quer dizer que não fosse às putas na mesma! Só que um tipo depois de passar para o lado de lá, por mais putas que comesse, tinha de voltar sempre para casa, senão o velho dela ia-nos aos cornos. E o que é pior, lá se acabava o emprego na mercearia. Por isso, mal acabava de saborear os pitéus do bordel da Madame Clotilde (aquilo é que era verdadeiro serviço social!), lá tinha eu de aturar a Alzira, que ainda por cima, com o passar dos anos, começou-me a inchar de tal forma que às tantas já nem conseguia achar a merda do buraco no meio de tanto lombo.
Então, esse fato nunca mais está pronto? Pois, para ti é igual ao litro. Ai que esta mulher, além de surda é estúpida que nem uma porta de pinheiro manso. Parece ela que não se lembra de que no tempo do velhote das botas uma pessoa nem tinha direito a votar. Ah, votar votava – ela não, que nunca teve cabeça para acabar a 4ª classe – só que uma pessoa já sabia que aquilo era feijões. Agora que a este elefante pode escolher à vontade a cor do dono, prefere passar-me o tempo a ler-me aquelas revistas sobre quem é o último cabrão que anda saltar para cima daquela puta da Helga ou Elsa ou o que é, aquela que enche o corpo com “tatagens” dos namorados. Eu dava-lhes o jet-set! Cambada de rameiras e paneleiros que nunca dobraram a mola para terem comida no prato. Se eu mandasse, mandava-os formar uma fila e vai de G3 para cima, não sobrava nem um! Por estas e por outras é que uma pessoa às vezes ainda se põe a fazer contas à vida e a matar saudades e a lembrar-se que no tempo do Oliveirinha não havia cá merdas destas.
Bate mas é na boca ó Chico! Vai de retro ó Belzebu. Foda-se, que não há nada como a liberdade e só quem não passou pelo antigo regime é que sabe dar valor às coisas. Só de pensar que há gente que não vota para ir por o coro a assar na praia, dá-me logo vontade de juntá-los a todos e dar-lhes o mesmo tratamento que merecem as putas do jet-set! E depois li pra aí no jornal, já não me lembra se era o Correio da Manhã ou o 24 Horas, que há uns tipos que não votam…Como é que chamam àquilo? Arquistas? Andarquistas? São como o Manel Botijas do estaleiro, que era arco-sindicalista ou que era aquilo, dizia que era contra o governo e o poder, mas a ver se o gajo não gostava de o receber ao fim do mês…São todos iguais! Esses também os mandava mais cedo de regresso para o Criador! Só sabem fazer barulho e armar confusão. No outro dia, fui ao Porto e dei de caras com um bando desses animais a partir as montras daquele restaurante dos “hamburgas”, com o nome do pato Donald. Ai se fossem meus filhos, iam apanhar tanto naquelas trombas que nunca mais se lembravam de fazer outra igual. Também eles não se ficaram a rir que chamei logo as autoridades que aquilo era bastão a rebentar-lhes com a cremalheira que da próxima vez já não vão querer arreganhar os dentes com a mesma genica.
Então, mas o cachalote da Alzira, nunca mais se despacha? Se aquela vaca leiteira tivesse alguma coisa na cabeça, ainda pensava que estavas a pensar em quem é que ia votar. Agora, com essa mioleira de lesma, não percebo a razão da demora! Também, não há muito por onde escolher…Os comunas nem pensar, que roubavam-nos logo às terras. Os malucos do partido do oculinhos, aquele que é favor da droga e dos paneleiros, ainda pior. O CDS, sem o Portas, que ainda fazia alguma coisa pela gente, tem lá aquele lampião, que só quer é foder o FCP. Por isso, ou uma pessoa mete a cruz no anão do PPD, mas onde é que já se viu se aquilo lá é figura de gente, ou então tem que ser no Socras… Dizem que também abafa a palhinha, pelo menos é o que me contou o meu sobrinho Alfredo, que é electricista em Lisboa. Ah, também desde que não se saiba…Afinal, o homem até parece que andava a saltar para cima duma jornalista, e se dá para o outro lado sempre lhe deve ter ido à guarita, que já não é nada mau…Eu cá voto no Socras, pelo menos tem bom ar, é limpo e arranjadinho, que a minha mãezinha, que Deus a tenha, sempre me disse que os homens vêem-se a raça deles pelo porte e pelo aprumo. E se mente, o que é que se há-de fazer? Quem não falta à verdade que atire a primeira pedra, que eu também tive de enganar a Alzira cada vez que vinha a cheirar ao perfume barato das putas da Madame Clotilde. Além disso, eles também são todos iguais…E, se gostam de meter ao bolso, fazem eles se não bem, pois é cá fazia o mesmo, se pudesse. Ai não que não fazia! Só se fosse parvo.
Então, esse fato nunca mais está pronto? Estúpida da mulher…

Anúncios

2 Respostas to “Dever cívico”

  1. Toni Rebel said

    Muito nice Migo Nenucão.

    Espero pelo final, para saber notícias da D. Alzira.

    :)

  2. Freaky said

    E ela saberá fazer mousse de manga?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: