A democracia é…

Segunda-feira, 16 Julho 2007 (11:48)

Querido Diário,

A minha professora de História, que é chata como a potassa, e ainda consegue ser mais feia que o Carmona Rodrigues – qualquer dia queimo-lhe a verruga do pescoço com a ponta de um cigarro – pediu-nos para escrevermos uma redacção sobre as virtudes da democracia. E eu, na minha santa inocência, perguntei-lhe quais virtudes? Então não é que a puta da velha pensava que eu ‘tava’ reinar e mandou-me chamar os cotas a casa! Moral da história, ontem à noite, fiquei a arder com o Daily News do John Stewart e tive de gramar com o Especial Eleições da RTP, SIC e TVI, enquanto os velhos ressonavam no sofá. E o pior é que sempre que eu tentava mudar para o John Stewart a chata da cota acordava como se tivesse um serviço de despertar automático de cada vez que eu me abeirava do comando. Felizmente, o velho tinha despejado um garrafão de morangueiro e só acordou na madrugada seguinte, senão hoje eu tinha ido com uma maquilhagem nova para a escola. Bem, mas, para ser sincero, nem tudo foi mau. Aqui entre nós, que a caquética da prof não nos houve, até que aprendi qualquer coisita sobre as tais virtudes da democracia. Então, cá vai (querido diário, eu depois prometo que colo uma fotografia dos No Name Boys em cima desta merda):

A democracia é um sistema justo e bom. A principal virtude da democracia é que a maioria tem sempre razão. Por exemplo, o António Costa prometeu que vai pintar todas as passadeiras de Lisboa, o que eu acho um bocado estúpido e uma perda de tempo. Mas como a maioria votou nele, por mais imbecis que sejam as suas ideias, passou automaticamente a ter razão.
Outra virtude da democracia é que defende a lógica de que quando um burro fala o outro deve baixar as orelhas. Deve ter sido por isso que quando a Helena Roseta dizia qualquer coisa sobre grupos económicos e corrupção, o António Costa começou a falar aos jornalistas.
Percebi também que a democracia é muito mais justa do que o futebol. Se a Helena Roseta fosse o José Couceiro bastava deitar as culpas nos árbitros. Só que em democracia isso não é possível. Como a maioria votou no António Costa e ele tem sempre razão, mesmo que a Helena Roseta tivesse sido realmente prejudicada pelas arbitragens, ela não tem direito a falar aos jornalistas.
Mas, para mim, a principal virtude da democracia é que quando não existem adeptos para apoiar a equipa vencedora, podemos sempre mandar vir uns cotas com alzheimer, enfiar-lhes umas bandeiras nas mãos e ameaçá-los que, se não puxarem pelo clube, têm que se desenrascar sozinhos para voltarem para casa. O melhor mesmo é ir buscá-los a sítios sem carreiras diárias a partir de Lisboa como o Alandroal e Celorico da Beira, pois assim os velhos ficam mesmo à nora e não têm outra opção que não seja gritar pela equipa. Pensando bem, se calhar, vou escrever ao Filipe Vieira e ao Berardo a propor esta cena.

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2 Respostas to “A democracia é…”

  1. Tóne said

    “ninguém nos houve”????????

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