Profetas à parte…

Quinta-feira, 26 Julho 2007 (19:43)

rasputin_tint.jpg

Há muitas coisas que me irritam por aí. Os putos aos gritos na praia e os pais com excesso de fleuma britânica – olha que giro, está a fazer birra – irritam. Os tipos a deitar latas e garrafas para o chão, irritam. A imoralidade dos políticos e a amoralidade de quem vota neles, irrita. O caos urbanístico do Algarve, em que esterqueiros coabitam ao lado de greens para all-turistas, irrita e provoca irrupções cutâneas. Os tipos e as tipas que vivem obcecados pelos telemóveis, carros, salários, ganho mais do que tu, fodo mais do que tu, cago mais caviar do que tu, irritam. Mas até se dá o desconto. Afinal, cada um é como cada qual e não nos compete a nós arrogarmos que possuirmos a verdade nem andarmos por aí a tentar acordar o mundo. Para eles, nós também seríamos alienígenas, caso conseguissem soletrar a palavra. Mas o que me irrita mesmo são os tipos que andam para aí, que lêem umas coisinhas, estilo a Y e a Visão de fio a pavio, mais uns livros muito outsider, geralmente de poetas bêbados norte-americanos, que devoram filmes coreanos, porque a Europa está démodé e os norte-americanos são incapazes de se erguer além do maniqueísmo dos super-heróis da Marvel, que recebem a Cool todos os dias no email para saberem o que realmente está a dar a noite, cujo gosto – ou sensibilidade – é apenas uma colagem de rótulos supostamente undergroud, andarem por aí a pregar sobre o que é Cultura ou o Amor à Arte. Se gostam tanto de ARTE, não se preocupem tanto com o que os outros consomem. Se gostam tanto de CULTURA, não andem por aí a tentar dividir o mundo entre os dignos de aceder a esse universo, cujos códigos confesso desconhecer, mas acho que têm, acima de tudo, a ver com critérios quantitativos (menos é mais), e aqueles que não percebem nada disso, mas têm a mania. Esses profetas da cultura têm, no mínimo, o dom da clarividência! Desconfio sempre de quem diz que ‘sem música não respiro’, que ‘este autor revelou-me a verdade’ ou ‘só vejo bons filmes no King’. Acima de tudo, desconfio de quem está demasiado preocupado em apregoar que gosta. Quem realmente gosta, antes de mais, desfruta da cena. Acho eu…

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8 Respostas to “Profetas à parte…”

  1. bicho d'ouvido said

    Mai’ nada!
    Até tenho medo de saber de quem estás a falar…

  2. homemdagaragem said

    como alguém disse no fim do ano (o6/o7); para quem lá esteve lembra-se de certo desse fim de ano (outros nem tanto mesmo que tenham lá estado, o que não interessa nada para ESTA verdade) esse alguém fez-me “vibrar” para uma nova era (não a planta que levaria H se a 4ª classe me ensinou isso e ou bem) de luz (não aquela onde o SS jogou):
    “(…) quem faz o que gosta é feliz (…)”

    no entanto tenho que fazer um P.S. (que o que conhecemos melhor está gasto).
    P.S.: não percebo o que é que o Rasputine (é o rasputine não é?) faz neste texto.

    profetas à parte o mundo é nosso, vamos a ele… (mão morta in NUS).

    P.S.2: O Alberto João Jardim pode ser considerado profeta?
    Obrigado e boa tarde felicidades pó pograma!

    tu tu tu tu tu tu

  3. sofia gaivota said

    Grande post! Os meus pensamentos exactamente! E tal como é dito acima: até tenho medo de pensar que todos somos um pouco assim! :)
    beijo

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