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Quinta-feira, 13 Dezembro 2007 (09:26)

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O dia em que Mugabe tremeu

Domingo, 9 Dezembro 2007 (18:06)

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Ontem, um agente da GNR parou ao meu lado no semáforo. Dei com o gajo a olhar pr’a mim . Ou pr’a cena que eu conduzo e que em dias cinzentos até se parece com um carro. À vez, ora pr’a mim ora pr’a cena. Arrancou e, contrariando todas regras que eu fingi aprender na escola de condução, continuou a fitar-me. A mim e à cena…
Terá sido porque a cena beje (outrora branca como a cal) tem a porta direita metida pr’a dentro, ainda com resquícios de um portão esmeralda lá para os lados da Quinta da Marinha, o espelho lateral a pender como um esqueleto de enforcado ao sabor do vento, a bagageira comercial com restos de tinta branca ressequida diluída em vestígios de óleo de motor a respaldar duas jantes e alguns sacos de plástico por onde espreita um ou outro caroço de maçã e outros objectos de igual utilidade?
Ou seria por causa da jaqueta verde tropa desfiada, por onde despontava um rosto com olheiras vincadas, olhos raiados e exangues, cabelo à máquina com barba de corte similar a abrir caminho a um piercing prateado à entrada da reentrância auricular direita a condizer com os brincos anelados no hemisfério oposto?
O gajo partiu de vez e eu fiquei a olhar. Pr’a ele. E pr’a cena dele. Uma Kawasaki (não posso garantir) que tinha acabado de encabeçar uma cordão motorizado em torno de um Mercedes (talvez fosse um BM…) de vidros fumados. Percebi então que eu e a minha cena consituímos por breves segundos uma ameaça pr’a Cimeira. E fiquei a olhar pr’a cena deles. Afinal, por uns momentos, alguém tinha posto o Mugabe na linha.

Quinta-feira, 6 Dezembro 2007 (16:24)

stanto antonio