O dia em que Mugabe tremeu

Domingo, 9 Dezembro 2007 (18:06)

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Ontem, um agente da GNR parou ao meu lado no semáforo. Dei com o gajo a olhar pr’a mim . Ou pr’a cena que eu conduzo e que em dias cinzentos até se parece com um carro. À vez, ora pr’a mim ora pr’a cena. Arrancou e, contrariando todas regras que eu fingi aprender na escola de condução, continuou a fitar-me. A mim e à cena…
Terá sido porque a cena beje (outrora branca como a cal) tem a porta direita metida pr’a dentro, ainda com resquícios de um portão esmeralda lá para os lados da Quinta da Marinha, o espelho lateral a pender como um esqueleto de enforcado ao sabor do vento, a bagageira comercial com restos de tinta branca ressequida diluída em vestígios de óleo de motor a respaldar duas jantes e alguns sacos de plástico por onde espreita um ou outro caroço de maçã e outros objectos de igual utilidade?
Ou seria por causa da jaqueta verde tropa desfiada, por onde despontava um rosto com olheiras vincadas, olhos raiados e exangues, cabelo à máquina com barba de corte similar a abrir caminho a um piercing prateado à entrada da reentrância auricular direita a condizer com os brincos anelados no hemisfério oposto?
O gajo partiu de vez e eu fiquei a olhar. Pr’a ele. E pr’a cena dele. Uma Kawasaki (não posso garantir) que tinha acabado de encabeçar uma cordão motorizado em torno de um Mercedes (talvez fosse um BM…) de vidros fumados. Percebi então que eu e a minha cena consituímos por breves segundos uma ameaça pr’a Cimeira. E fiquei a olhar pr’a cena deles. Afinal, por uns momentos, alguém tinha posto o Mugabe na linha.

Espadinha, Victor #$$$$# O Romance de uma Vida

Terça-feira, 31 Julho 2007 (10:26)

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Apresentadora boa ma memo boa
– Costuma dizer-se que para nos sentirmos realizados temos de plantar uma árvore, ter um filho e…

Victor Espadinha
– E escrever um livro.

Apresentadora boa ma memo boa
-Pois…e escrever um livro.

Victor Espadinha
– É. E eu já fiz tudo.

Apresentadora boa ma memo boa
– Ah, muito bem! Então e que livro é este? É um romance?

Victor Espadinha
– É. É o romance da minha vida, em que eu sou a personagem principal.

Apresentador bronco ma memo bronco
– Mas este romance é uma espécie de livro de memórias, não é? O Victor decidiu escrever as suas memórias, foi isso?

Victor Espadinha
– Bem, na verdade, não fui eu que escrevi o livro…quem escreveu foi um colega vosso da concorrência. É que ele escreve melhor do que eu.

E foi assim que tomei conhecimento de que o grande Victor Espadinha se havia abalançado nessa estóica e nobre arte de escrever sem escrever. Um romance que o não é. Um escritor que não escreve. E um livro para leitores que não lêem. Mas há mais. O magnífico livro, que tem tanto de obra editorial como uma rolo de papel Renova, traz um extra que o não é. Um CD com as melhores músicas do cantor que canta ainda pior do que escreve.

Esta noite
No teu peito
A viagem sem regresso
O tempo que eu perdi
Poema de Florbela
Não posso viver sem ti

Esta noite vamos dançar
Corpo no corpo
Uma música
E a vida vai mudar
Só tu mais ninguém
Perdidamente a te amar

Esta noite
Vamos dançar
Corpo no corpo
Uma música
E a vida vai mudar
Só tu mais ninguém
Perdidamente a te amar