Morte…a última mentira

Terça-feira, 28 Agosto 2007 (10:50)

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Por uma qualquer estranha e bizarra razão, assim que alguém emana o último suspiro, aparece sempre um coro de amigos, conhecidos e familiares (há muito desaparecidos) em defesa da honra e do bom nome do defunto. “Ai, era tão amigo do seu amigo” e “nunca pensava nele, coitadinho”, “os filhos e a mulher estavam sempre em primeiro lugar”.

Defeitos? Vícios? Taras? Nã…Quando muito um ou outro pecadilho por excesso de zelo. “Ai, era um bocadinho perfeccionista, às vezes um pouco teimoso até” ou “se fosse preciso trabalhava 48 horas seguidas sem ir à cama”.

Por amor de Deus! Mas alguém explica a esta gente que o homem não foi chamado para nenhuma entrevista de emprego (pelo menos que se saiba). Não é preciso repetir à saciedade que escrevia como o Borges… que tinha o sentido de humor do Woody Allen!…ou que as mulheres caíam que nem tordos cada vez que ele sorria para elas (isto antes de se casar, claro está, que ele sempre foi homem de um amor só).

Por isso, confesso a minha estupefacção diante dos panegíricos da morte. Afinal, se o gajo não abre a boca, é porque não quer falar. Então, não percebo por que é que a porra dos amigos, conhecidos e familiares (há muito desaparecidos) continuam a querer lamber-lhe o rabo (o que ainda por cima é pouco higiénico e um bocado parafílico)

A não ser que sejam eles a querer uma entrevista de emprego.

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Final Feliz

Terça-feira, 17 Julho 2007 (12:18)

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Pá, isto tá demais, esta história é do caralho, mas dava só para mudares o final?, qualquer coisa mais, mais terra a terra, tás a ver, o gajo e a gaja podiam ficar juntos, tás ver a cena?, ah, e já agora, se pudeses mudar o nome do tipo de Fred para João, uma coisa com que as pessoas se identifiquem melhor, é pá, Fred não dá, tás a ver?
Ah, sim? Então, tá bem, podemos começar por mudar o teu apelido, tás a ver, essa cena do Giachenini, além de ser um bocado boiola, dá ideia de que andas a traficar coca em Bogotá e que esta merda é só para lavares o papel. Aliás, se calhar, o melhor é mudar a história toda, afinal ninguém quer saber de mutilados de guerra e de crianças desmembradas, que as pessoas já andam demasiado fodidas com a vida…tenho uma ideia, trocamos os mutilados por uns marines ataviados em medalhinhas do Vietname e quanto às crianças metemos só uns arranhões na cara, como se tivessem caído no baloiço do jardim de infância. O que é que dizes, meu?
Pá, não leves isto a peito, mas a cena tem que vender, percebes? Se não quem se fode sou eu!, tás a ver, as pessoas não querem merdas que ainda as angustiem mais, caralho, pá, um gajo tem de ter os pés bem assentes no chão!
Ya, vai dizer isso aos bacanos em cadeiras de rodas a quem quiseste comprar a história, diz-lhes assim ‘desculpem lá, mas vocês têm de ter os pés bem assentes no chão’. Tenho a certeza que eles vão perceber! Ya, olha, vira-te para os putos mutilados e diz-lhes “não é nada pessoal, mas temos que fazer umas pequenas mudanças, é que temos de ter os pés bem assentes no chão”. Tenho a certeza que eles vão perceber…aliás, foi o que eles fizeram quando pisaram a porra das minas!

lab