Angelina Jolie adopta Esmeralda

Quinta-feira, 8 Fevereiro 2007 (00:49)

Foi encontrada, finalmente, uma solução racional para a novela da pequena Esmeralda, um caso que emocionou o País em geral e a
Teresa Guilherme Produções em particular – depois de Floribella, a pobrezinha sem pais, Pinto Balsemão já esfrega as mãos com o futuro sucesso de Esmeralda, a remediadinha com pais a mais. Depois de ter andado em campos de refugiados no Ruanda, Somália, Caxemira e Albânia à procura do seu terceiro filho adoptivo, Angelina Jolie decidiu viajar até Portugal para tomar a seu cargo a educação e o destino de Esmeralda. A actriz escolheu Portugal, pois, além de cumprir todos os requisitos de pobreza, corrupção e atentados aos direitos humanos, este era o único país do mundo onde não é necessário assinar papéis para adoptar uma criança.

PS. Mesmo que, à posteriori, sejam colocados problemas legais ao processo de adopção, com a rapidez da justiça portuguesa, quando o caso for a tribunal, já Esmeralda será independente, casada e com netos. Só seria chato se os republicanos continuassem no poder. Com as novas leis de imigração nos EUA, o mais certo era a desgraçada e os descendentes serem recambiados para Portugal. Com um bocado de sorte, nessa altura, o sargento já terá sido libertado e o pai biológico já terá emprenhado outra gaja para se entreter.

Um conto lusitano

Terça-feira, 16 Janeiro 2007 (11:12)

paula_bobone.jpg

Só para quem leu o post anterior.

Alguns jovens ébrios cantam o Alabama Song, clamam pela revolução, pela distribuição gratuita de Victan (a revolução do Victan) e lançam impropérios contra o sistema capitalista enquanto sobem o Chiado. Abruptamente, as palavras de ordem são interrompidas por uma visão onírica. Paula e Vasco Bobone param ao nosso lado na passadeira do Camões. Seria a alucinação fruto da ronda kurt/brechtiana pelos whisky bares do caminho? Seria resultado da nuvem psicotrópica que se apoderou do concerto de Ray Manzarek e Robbie Krieger? Ainda tenho dúvidas sobre a realidade dos factos, pelo que terão de me desculpar alguma falta de rigor na apresentação dos mesmos.

O escárnio dos jovens contagia os restantes transeuntes. Entre aplausos e slogans juvenis “acabados em Bobó”, a jovem Yod’Ana aproxima-se de Paula Bobone.

YOD’ANA – Desculpe, você tem de compreender as reacções que provoca. É uma figura pública e representa tudo aquilo que nós mais odiamos na sociedade.

Não sei se é do pó de arroz, de outro pó qualquer ou da máscara facial Vichy. O certo é que a mulher não revela qualquer expressão. Parece tão humana como as bonecas de borracha da Sex Shop ali da Calçada do Combro. Como um programa de computador a fazer o search do file correcto, a resposta é rebuscada no arquivo Ram da máquina.
C://File Situações Desagradáveis, Open and send to Desktop:

BOBONE MACHINE – Bip, bip, Eu convivo bem com isso, bip, over.

C:// File Open File Documents, Document Sorriso para situações incómodas, Open and send to Desktop

BOBONE MACHINE – Bip, bip, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos, Beijinhos,
CRASH CRASH CRASH System ERROR System ERROR
Password Invalid TRY AGAIN

Bobone Machine parece desconjuntar-se, uma nuvem de fumo é expelida do sistema operativo.

BOBONE MACHINE – Bip, Bip, Aulas de etiqueta, bip, Lili Caneças é uma puta, bip, vernissage em casa do Castelo Branco, bip, Castelo Branco é uma puta, bip, onde pus as minhas pulseiras Versace, bip, bip, bip, beijinhos, beijinhos, bip, o Vasco é artista plástico, bip, o Vasco é uma puta, bip

Vasco Bobone reage prontamente – pelo menos, tão prontamente quanto o Alzheimer avançado lhe permite, ou seja, 20 minutos depois. Retira da mala Vuitton um chip, introduzindo-o numa ranhura alojada na nuca. A situação parece voltar a estar controlada.

BOBONE MACHINE – Bip, bip, Despache-se, Vasco, que eu não quero chegar ao aniversário da Kapital depois dos jornalistas já se terem ido embora, bip, bip.

Um conto americano

Domingo, 14 Janeiro 2007 (13:13)

band_2.jpg

I

Ray Manzarek pede desculpa, em nome dos americanos, pela existência de George Bush. Krieger introduz as primeiras notas de Star Spangled Banner e Manzarek dedica o Hino ao presidente americano. O Verdadeiro.

Five To One

Five to one, baby, one in five
no one here gets out alive,
now you get yours, baby,
I’ ll get mine,
Gonna make it, baby, if we try

The old get old and the young get stronger,
may take a week and it may take longer,
they got the guns but we got the numbers
Gonna win, yeah, we’re takin’over, come on!

Your ballroom days are over, baby, night is drawing near,
Shadows of the evening grow across the year.
You walk across the floor with a flower in your hand,
Trying to tell me no one understands,
Trading your house for a handful of dimes.
Gonna make it, baby, in our prime,
get together one more time,
get together one more time,
get together one more time,
get together one more time

Celebração pura. Do Roadhouse Blues da abertura ao Soul Kitchen do “I’d really like to stay here all night”. Também nós. Da primeira fila aos camarotes, dança-se sobre o fogo sagrado. Mr Mojo ressuscita.

“We want the world and we want it…

“We want the world and we want it… NOW!”

Não há Jim? Como não? A ausência física não apaga a omnipresença do Rei Lagarto. Todos sabem isso.

Obrigado, Jim.
Obrigado Ray, Robbie e John.
Obrigado, Ian, pela dedicação.

II

Muitos whisky bares depois, canta-se o Alabama Song no Chiado. Olho para o lado e vejo Paula Bobone e o seu marido diplomata/empresário/artista plástico/ alzheimeriano. Bingo. Não podia haver melhor figura para encarnar a ópera kitsch de Kurt Weil. As gargalhadas burlescas ecoam pelo Camões. A mulher não perde a compostura. Só que ela não sabe da existência de Yod’Ana, que se abeira do boneco:

“Sabe, você representa tudo aquilo que nós mais odiamos”

Bobone esboça um sorriso amarelo e tenta preservar a personagem. “Eu convivo bem com isso”. Mais um sorriso e acena a despedir-se. The old get old, definitivamente.

III

Baratux. Ou será Baratex? Bem, não fica longe do Fufex. Não sei muito bem como, chegamos à conversa com um grupo de americanos. Tentamos convencê-los a experimentar a caipirinha. Não me lembro se fomos bem sucedidos. Os copos passam de mão em mão e tanto me faz o que vai lá para dentro. Mas lembro-me que estão de férias, são classe media típica americana e trabalham num aeroporto.

E, acima de tudo, lembro-me de pedirem desculpa por existir George Bush.

“É sempre a mesma coisa, estivemos na Coreia, na Alemanha, em Itália, em Espanha e acabamos sempre a pedir desculpa”. Não tens de pedir, amigo, afinal, já vos basta terem de levar com ele.

Afinal, como raio é que aquele cabrão ganhou as eleições?

IV

Incógnito. Pela primeira vez na minha vida, a menina da porta pede-me 10 dólares para entrar. 10 euros que soaram a 10 dólares. A “culpa” é dos americanos que estão connosco. Ou da chico-espertice da miúda. Baby, mas normalmente são só 5 euros. “É só um bocadinho”. Ela regressa e diz “então, está bem, são 5 euros”.

O Incógnito parece o Coliseu. Não cabe nem mais uma formiga. Quanto mais os americanos, que até são de bom alimento. Entramos todos.

Os americas estão doidos.
“Beautiful women”, “great girls”, “kindly person”, “you have a great country”.

I don’t know about that. Mas gosto desta América. Mesmo muito.