O prozac de Sócrates

Segunda-feira, 9 Junho 2008 (21:40)

Um puto de dez anos, de rojos pelo chão, arrasta-se sem uma perna a pedinchar umas moedas. A poucos metros, uma velha de pés para a cova aguarda pela próxima esmola. Talvez a última esmola. Para a multidão que passa em tropel, o puto e a velha são absolutamente invisíveis. Já estão fora de jogo. A multidão não. Acredita que está a jogar ao lado do Ronaldo e do Nani e acelera o passo para fintar o puto e a velha. E driblam e fintam como ninguém, deixando para trás o puto, a velha e todo e qualquer marginalizado que se lhes atravesse à frente. Os transeuntes correm como o Simão para chegar a horas ao ecrã gigante que a Câmara Municipal mandou instalar. A poucos metros da velha e do puto. Os olhos vibram, as gargantas esganiçam-se, há sorrisos e mãos na cabeça. Há transes colectivos a fazer lembrar as massas de Munique, ébrias pelas palavras inflamadas de Hitler. O Fuhrer tinha o dom da oratória. Sócrates tem Scolari. Nas democracias, a hipnose colectiva está obrigada a recorrer a técnicas mais refinadas. É preciso contratar técnicos de marketing para manter a hipnose colectiva. Scolari serviu que nem uma luva. Pelo menos, enquanto a selecção se mantiver em prova, o consumo de anti-depressivos deve baixar pela primeira vez nos últimos dez anos. O que já não é mau. A não ser para os farmacêuticos.    

Sabem por que não há ciganos pedófilos?

Terça-feira, 20 Maio 2008 (21:13)

Ainda ensonado e prestes a estrear a primeira bica matinal, fui abruptamente interrompido pela leitura pública de uma pertinente notícia no Correio da Manhã:

        Aiii…apanharam mais dois peidófilos…aii, isto era logo ao tiro de caçadera! – avança um jovem dos seus dezasseis anos.

        Qal quê? Sabem porque é que nã há ciganos peidófilos?

 (Silêncio sepulcral)

        Porque a gente matamo-los todos! – sentencia Sô Zê, um pouco menos jovem, pelo menos a julgar pelo farto bigode a pender sobre os lábios.

 Apressei-me a beber o café, tentando evitar novos desenvolvimentos, mas não fui suficientemente lesto para escapar aos seguintes comentários:

        Cá para mim, era com choques eléctricos! – atira um cliente com ar modorrento ao canto do balcão.

        Nã! Era mas é um pau pelo cu acima – desculpe a expressão (dirigindo-se à empregada de balcão) e a sair pela garganta – remata Sô Zé.

 

 

tipo de casa quinhentista

Quarta-feira, 5 Março 2008 (19:18)

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