Eu Cláudio…escrevo…não escrevo

Quinta-feira, 30 Agosto 2007 (10:45)

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“Hoje, tal como hà uns dias, não me apetece escrever. Tinha tanta coisa para dizer, tanto que contar e dividir com vocês… mas apesar de me apetecer fazê-lo não me apetece escrever. Gosto de dança. Muito mais do que imaginam. Gosto de café. Mas não posso beber. Gosto muito de azul escuro. Mas com este calor não é a melhor opção. Gosto da cidade de Lisboa… Mas as saudades do meu Alentejo e do seu cheiro, tiram-me a vontade de escrever. Ás vezes custa estar longe do que se quer e ainda por cima porque se quer. A minha Vila, que me conhece tão bem, sei que me desculpa. Mas os outros?… Desculparão?”

Cláudio Ramos em www.euclaudio.blogspot.com

Os outros? O que interessa a opinião dos outros? Se a tua Vila te desculpa, ela lá sabe porquê. E, se aqueles que te conhecem do berço não querem que tu escrevas, então é isso que deves fazer.

E, olha, não estás sozinho. A tua Vila somos nós todos, os que agradecem cada dia em que não te apetece escrever. Eu sei que é difícil. Afinal, tanto que haveria para escrever sobre dança, café e azul escuro. São temas incontornáveis, é certo, mas não podes nem deves contrariar os impulsos da alma.

E se ela te diz para não escreveres, deves respeitar escrupulosamente a sua vontade. Não resistas. Se não te apetece escrever, isso significa que finalmente estás a descobrir a tua real vocação. Que passa, obviamente, por muitas outras coisas interessantes, como a dança, o café ou o azul escuro, mas não a escrita. Vai até ao Budha, enfia um penalty de café, que um dia não são dias, e veste uma blusa azul escura que à noite ninguém nota. Mas, por favor, não escrevas.

E, olha, se escutares atentamente o rumor da tua alma irás aperceber-te que existem muitas outras coisas que não te apetece fazer. Como abrir a boca para arrotar alarvidades sobre tudo e nada. Garanto-te que a tua Vila te vai desculpar se deixares de o fazer. E o resto do País também.

Inês, a Terrível

Quinta-feira, 2 Agosto 2007 (08:45)

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Inês Pedrosa, a atravessar com certeza um momento de peregrina inspiração, disse recentemente que “quem não votou nas eleições autárquicas de Lisboa devia ser sancionado”. Ora nem mais. E em que tipo de sanção estaria Inês a pensar para os prevaricadores?

a) A câmara de gás
b) A cadeira eléctrica
c) Um fim-de-semana com o António Costa e o Sá Fernandes num quarto de hotel da capital
d) A leitura obrigatória de todos os livros, crónicas, exames de faculdade e cartas de amor da Inês Pedrosa
e) Um estágio obrigatório na EMEL (só para cidadãos com a 4ª classe antiga e/ou leitores que tenham abandonado a meio a leitura do Fazes-me Falta)

Na minha humilde opinião, embora considere grave e indesculpável o comportamento dos abstencionistas, penso que ninguém, por mais bárbaro que tenha sido o seu crime, merece o regime de tortura desumano previsto na alínea d). A opção c) poderá ser considerada sexualmente discriminatória e a e) seria por certo insustentável uma vez que dos 500 mil eleitores talvez um por cento tenha lido até ao fim essa obra de leitura obrigatória que é o Fazes-me Falta (para quando nos currículos e manuais escolares de Português?). Restam as opções b) e a) mas tendo em conta o número de cidadãos com ascendência judia na capital lisboeta talvez a a cadeira eléctrica se afigure como a solução mais sensata. Então e o que fazer com a câmara de gás? Para não desperdiçar recursos ao Estado, o melhor é mandar para lá todas as pessoas que escrevem livros e crónicas lamechas.